Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

O Sujeito Contemporâneo Ocidental

Você não está acostumado a plantar uma muda da sua fruta preferida; no metro quadrado fica plantado esperando a droga da banda larga que leva mais de 3 segundos para mudar de página. Você acha que 15 minutos podem mudar a sua vida para sempre, ou o seu humor para o resto do dia (ficar em fila!).
Ás vezes parece que o céu é o limite mas se lembra que existe a Lua e todos os planetas e quem sabe vida extraterrestre (sujeitos talvez contemporâneos e ocidentais...), então tudo é possível de ser alcançado. Contudo, o mundo continua a orbitar em nossos umbigos.

E girando em volta de nós mesmos como cães com a pulga no orifício descobrimos que se tudo é possível é impossível se ter tudo ao mesmo tempo (óh finitude!). As possibilidades parecem ser muitas,mas se pergunta o sujeito, sem o ponto de interrogação porque lhe faltou tempo para refletir sobre seu pròprio questionamento: O que eu quero mesmo.... E neste meio tempo surgem respostas divinamente capitalizadas.....Sim! è o celular!...Sim!é o corpo perfeito!..Sim!é a casa dos sonhos! Sim's vão brotando como ervas daninhas e o que parecia tão difícil agora é anestesiado pela grande massa de mensagens que falam por nós mesmo antes de nos perguntarmos...seja lá o que queremos problematizar.
Se você não é feliz num mundo onde todos devem sorrir, porque seguiu a "estrada de tijolos amarelos" e não encontrou ou encontrou tudo o que esperava, não se preucupe. Ficar "no fundo do poço" é o último grito da moda. Lá no subsolo existem pessoas lindas de preto, com cara de quem tanto faz como tanto fez se comeu ou não e se gostou ou não ao som da acabadíssima Amy Whinehouse (parece estar acima dos cantores melancólicos dos anos 80 mas viverá menos que eles). Urge ressaltar que não se pode ficar muito tempo no fundo do poço VIP (não é elegante).
Elegante pode ser designar-se como um intelectual. PARADIGMA! Esta é a palavra que traduz o tesão de saber e poder. Muitos de nós trazemos paradigmas como se palavras fossem espada de esgrima utilizadas por quem mal conhecemos e que usamos pela primeira vez. Paradigmas vão se sobrepondo à outros, ás vezes em verdades vertiginosas e histéricas. ...Verdades que podem andar de mãos dadas com o modo capitalista de viver. "Eu falo o que não faço"
Este é o sujeito contemporâneo ocidental. Qualquer semelhança não é pura coinscidência; faz parte do processo da reprodução alucinada deste jeito de viver. Sociedade imediatista, narcisista, produção de subjetividade capitalística, seja lá o que podem chamar, nem todos nós podemos ter o pedigree, alguns são como vira-latas mas os que tem se perguntam..........
*Ora! Pergunte-se!!!!!!!!

Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

ESTRADA LIMÍTROFE

Ele é um homem bilíngue, de poucas palavras, produzidas sonoramente e que se misturam ao vento. Ele não precisa gritar sua dor, mas ela aparece por entre a fumaça. Ele sabe rir mas se o sorriso for inaudível e entre os lábios fechados saiba que nem todos os comentários são interessantes de serem entendidos, principalmente se as palavras vem entre os dentes e não pelos poros. Ele é um homem que gosta de mulheres, e às vezes gosta de mulheres que nem mesmo conhecia mas que uma tela de vidro lhe mostra imagens que diz o tempo todo que são bonitas. Ele quer defender o que é seu. Sua mulher, sua casa, seus filhos, os animais que cria. O seu pedacinho de chão...pedacinho....Se pergunta onde estão as placas que dizem o que é seu e o que é de outro, quem diz o que é de quem. Enquanto isso, no outro lado do seu mundo outros homens se perguntam como saber se você conquistou seu pedacinho no céu. Como saber se você vai pagar o aluguel ou se terá um pedacinho daquele escritório....."tomara que caiba minha mesa...tomara que caiba na minha mesa". Alguns homens são bilingues por necessidade de ampliar seu territorio profissional, outros para sobrevivência. Alguns homens pescam por prazer (mastercard), outros sonham em pescar o peixe que já não existe mais e por isso mesmo não tem preço. Alguns homens estão em salas de aula com 40 crianças, outros ministram aulas com a presença de 10 crianças e um cachorro. Alguns homens fumam cigarro pra aliviar o stress, outras fumam para acalmar o espírito e a relação com a mulher. Este homem está de um lado do asfalto enquanto outros estão de outro. Ño limite do asfalto, este homem nos faz perguntar quem é o dono do asfalto que separa vidas de outras vidas como se fosse uma coisa da outra coisada. Coisificados, este homem mostra que somos coisas com milhares de outras coisas. Coisificados, este homem pode nos revelar que pode ser qualquer um. Pode ser eu, você e ele porque ainda "somos todos brasileiros", mas definitivamente este homem que enxerga o asfalto pode ser Guarani.

*Coisa coisado é uma expressão rememorando o poema "Eu, etiqueta" de Luís Fernando Veríssimo.

Domingo, 27 de Abril de 2008

Um blog de uma pessoa eclética que vive em um caos organizador de suas próprias lembranças. Um espaço para publicizar os desejos, as histórias,as concepções de vida. Mais do que um egocentrismo no nosso mundo digital, busco um diálogo, um encontro entre diferentes subjetividades que saltam aos nossos olhos na velocidade da internet banda larga.
Sejam bem vindos!!!!

Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

MARCAS DE UM PASSADO EM QUE EXISTIA XUXA SEM MARCAS DE SILICONE



Olá, eu sou uma jovem adulta nostálgica, mas com uma memória retrógrada falha, sendo assim, possuo poucas memórias da minha infância. Mas todos nós possuímos marcas do passado e estas nos mandam sinais. Eles estão ali, prontos para serem vislumbrados e nos causarem as mais variadas lembranças. Minha primeira marca foi quando eu tinha 9 meses. Eu estava em cima da cama quando fui rolando, rolando e caí. Depois disso fiquei toda engessada, parecia uma mini-múmia. Se ficou uma marca, ou seja um bracinho torto? Não, não. Eu até me esqueceria deste fato, rememorável apenas pela Hipnose de Freud, se eu realmente não tivesse uma foto e tivesse quebrado o braço durante minha infância nada mais nada menos do que SETE VEZES! E o melhor, neste caso, é que quebrava apenas os dedos ou o pulso ou o braço todo mesmo, do lado esquerdo. E sim, eu era canhota.
Por triste coincidência eu adorava escrever, era uma aluna exemplar. Quando não estava sendo levada pelas freiras na Ortopedia Carlos Barbosa, estava rodeada delas e das minhas professoras ou da coleguinha popular que me odiava e tentava me bater, porque eu era tímida e abobada e ao mesmo tempo olhada, mesmo que de cantinho, pelo menino mais lindo da escola (pelo menos era assim na primeira série). Enfim, todos os ossos foram novamente calcificados com os gessos e as talas. Eu nem me lembraria deste fato e nem traria como marca do passado, se tudo isso não me levasse a me lembrar dele, o monstrinho...o Alexsandrinho!!!!
O Alexsandrinho era feinho, mas muito feinho. Como eu já disse, minha memória possui alguns buracos negros na massa cinzenta de meu cérebro, assim os poucos resquícios que sobraram de sua imagem eram: caspa no cabelo, cabelo cor de sujo, camiseta cinza cor de sujeira, pele morena clara com cor de sujeira, baixinho. Enquanto isso eu era a mais alta da turma, a mais escovada durante o banho, usava trancinhas que causaria inveja à Emília do Monterio Lobato, pele perfeita, tudo tão perfeito que chegava a ser mongoloninha.
Não preciso dizer que o Alexsandrinho demonstrava todo o seu amor por mim e esse sentimento transparecia através dos meus joelhos cheio de marcas roxas e azuis. Ele também foi responsável por uma das vezes que fui à ortopedia com o dedão quebrado. O Alexsandrinho chutava os meus joelhinhos estrategicamente durante todos os recreios. Às vezes eu me defendia e agarrava os seus cabelos e como a Mônica faz com o seu coelhinho, antes de bater no cebolinha, girava ele em círculos. Era divertido!!! Mas eu não entendia porque aquele guri me odiava tanto e só fui começar a descobrir as nuances do amor quando minha mãe me contou a conversa que Alexsandrinho tivera com ela:
- Tia, quando eu crescer eu quero casar com a sua filha. Eu já tô separando dinheiro para comprar um fogão pra ela cozinhar quando a gente se casar!
Bom, eu até esqueceria deste fato e não classificaria como marca do passado, se as marcas no meu joelho não ficassem expostas durante anos !!! E segundo minhas fontes cefálicas e ao mesmo tampo subjetivas, estas marcas no joelho permaneceram até os QUINZE ANOS! Ou seja, elas foram preponderantes na minha adolescência, tanto que só beijei após os 15 anos de idade.
Hoje eu estou casada com ele e as marcas aumentam enquanto aumenta a nossa paixão. Cozinho no fogão seu mondongo e se eu não coloco bastante pimenta como ele gosta Alexsandrão me presenteia com um joelho de porco...o meu!!!! ***



*** O último parágrafo do texto foi distorcido pela autora durante uma crise delirante, contudo o restante de seu conteúdo é descrito pela mesma como a mais bela história de sua tenra infância.



"Eu só queria uma bola de vôlei"


Definitivamente eu não entendo minha alusão à Xuxa Meneguel quando penso na minha infância. Na verdade, eu nem fazia tanta questão de ver a Xuxa na telinha, até porque, não fui uma criança muito normal como podem ter verificado pelo texto anterior. Me lembro um pouco da Angélica “Vou de táxi, se sabe”; da Eliana “Tchau, tchau, tchau, eu vou viajar, logo, logo eu vou voltar”; das Patotinhas “tomo um banho de lua, tiro as calças e vou pra rua”. Da Mara Maravilha eu apenas gostava dela porque eu sempre dizia: “as morenas é que vão dominar o mundo”, mas na verdade nem assistia a seus programas. E Balão Mágico, esse nem se fala, só sei que tinha a Simoni e o Jairzinho....è isso?
O que gostava de ouvir mesmo era as fitas da minha mãe, dançando em cima da cama. Ouvindo Clara Nunes eu cantava vestida com a roupa azul da minha mãe que estava mais pra “mãe se santo”: “O que que a Baiana tem, o que que a Baiana tem”. Também ouvia Sérgio Reis, enquanto apontava as mão para cima e cantava: “Mas nessa casa tem goteira, pinga em mim, pinga em mim, pinga em mim”. Também ouvia direto as músicas da novela Roque Santeiro, como aquela: “Mistérios de um lobisomem que fosse homem...mistérios de uma menina tão desgarrada, seu professor”. Pois é...mas aonde estava mesmo....Há! Eu estava na Xuxa, mas na verdade preciso contar uma história antes para poder sublinhar porque falo da rainha dos baixinhos. Bom, além destas músicas, gostava de brincar de médica-chefe do hospital que dava ordens, de comer muito Fandangos e parei de usar as malditas trancinhas. Também, aos 9 anos de idade, queria muito uma bola de vôlei. Mesmo eu tendo quebrado um dedo, mesmo não sabendo jogar eu queria uma bola de vôlei. E tudo conspirava ao meu favor para que eu ganhasse, já que meus pais foram viajar, e eu tendo que ficar com a minha Vó super implicante, seria bem recompensada.
Ao voltarem ao doce lar, meus pais na porta já anunciaram: “Trouxemos uma surpresa!”. Estava radiante de alegria quando comecei a ouvir uns berros, depois de uns berros uns choros. E aquele que estava desesperado, chorando e berrando foi dado a mim, como recompensa pela estadia com a Vózinha. Eu olhei para aquele papagaio de beira de estrada, com as asas cortadas e o coloquei no chão. Ele estava em uma gaiola feita de taquara e se debatia para todos os lados. Eu nunca vi um animal tão desesperado e um presente nunca me deixou tão triste. Falava baixinho com ele: “O que fizeram contigo foi muita maldade..” Na verdade eu não sabia o que falar ao animal, ele não podia voar, não tinha como soltá-lo apesar de querer muito. E eu pensava comigo mesma: “Que merda esse presente, que bicho triste, eu só queria uma bola de vôlei.”
Quiko (o nome quem batizou foi meu pai), foi deslocado para uma gaiola de ferro e durante uma semana continuou gritando, mordendo as grades, não comia nem bebia direito. Cada vez que olhava para o bichinho brigava com meus pais: “Pra que tirar os bichos da natureza, isso é errado, que presente é esse!”. Quiko foi encontrado após uma semana, desmaiado com o bico dentro do pote de água. Meu pai retirou rapidamente ele da gaiola e fez respiração boca-a-boca. Foi a cena cômica mais não-cômica da minha vida. Eu chorava culposa, pensando que ele teria cometido suicídio. A única dúvida que tenho é se Quiko era menino ou menina. Mas até hoje não me sai da cabeça que ele ou ela realmente se matou na profunda tristeza e desesperança de que nunca mais iria ver suas árvores, seu verde, seu mundo que lhe foi tirado às pressas.
Quem me ajudou foi a Xuxa, que em uma manhã, após ter tomado meu Nescau e pensado no Quiko, apareceu sorrindente e saltitante me consolando na tv:
- Baixinhos e Baixinhas! Agora eu tenho algo muito sério para conversar com vocês...Os nossos animaizinhos em extinção estão sendo arrancados de onde vivem por homens que vendem eles ilegalmente, principalmente nas estradas. Nós precisamos lutar contra isso, muitos animais estão morrendo e não tendo a chance de aumentar a espécie e serem felizes. Com essa carteirinha do IBAMA você pode ser um amiguinho dos animais! Denuncie pelo telefone...
Eu nunca tive a carteirinha do IBAMA, mas naquele momento gritei bem alto minha dor:
- É isso mesmo XUXA! È um absurdo o que acontece, esses filhos duma Pu.....!!!!! Vamos defender os animais, chega de abusos, cadê os direitos!!!!!!!!
Hoje em dia, não vejo mais animais sendo vendidos em beiras de estradas mas vejo outras situações graves em beiras de estrada e é sobre elas que falarei mês que vem.