quarta-feira, 23 de abril de 2008

MARCAS DE UM PASSADO EM QUE EXISTIA XUXA SEM MARCAS DE SILICONE



Olá, eu sou uma jovem adulta nostálgica, mas com uma memória retrógrada falha, sendo assim, possuo poucas memórias da minha infância. Mas todos nós possuímos marcas do passado e estas nos mandam sinais. Eles estão ali, prontos para serem vislumbrados e nos causarem as mais variadas lembranças. Minha primeira marca foi quando eu tinha 9 meses. Eu estava em cima da cama quando fui rolando, rolando e caí. Depois disso fiquei toda engessada, parecia uma mini-múmia. Se ficou uma marca, ou seja um bracinho torto? Não, não. Eu até me esqueceria deste fato, rememorável apenas pela Hipnose de Freud, se eu realmente não tivesse uma foto e tivesse quebrado o braço durante minha infância nada mais nada menos do que SETE VEZES! E o melhor, neste caso, é que quebrava apenas os dedos ou o pulso ou o braço todo mesmo, do lado esquerdo. E sim, eu era canhota.
Por triste coincidência eu adorava escrever, era uma aluna exemplar. Quando não estava sendo levada pelas freiras na Ortopedia Carlos Barbosa, estava rodeada delas e das minhas professoras ou da coleguinha popular que me odiava e tentava me bater, porque eu era tímida e abobada e ao mesmo tempo olhada, mesmo que de cantinho, pelo menino mais lindo da escola (pelo menos era assim na primeira série). Enfim, todos os ossos foram novamente calcificados com os gessos e as talas. Eu nem me lembraria deste fato e nem traria como marca do passado, se tudo isso não me levasse a me lembrar dele, o monstrinho...o Alexsandrinho!!!!
O Alexsandrinho era feinho, mas muito feinho. Como eu já disse, minha memória possui alguns buracos negros na massa cinzenta de meu cérebro, assim os poucos resquícios que sobraram de sua imagem eram: caspa no cabelo, cabelo cor de sujo, camiseta cinza cor de sujeira, pele morena clara com cor de sujeira, baixinho. Enquanto isso eu era a mais alta da turma, a mais escovada durante o banho, usava trancinhas que causaria inveja à Emília do Monterio Lobato, pele perfeita, tudo tão perfeito que chegava a ser mongoloninha.
Não preciso dizer que o Alexsandrinho demonstrava todo o seu amor por mim e esse sentimento transparecia através dos meus joelhos cheio de marcas roxas e azuis. Ele também foi responsável por uma das vezes que fui à ortopedia com o dedão quebrado. O Alexsandrinho chutava os meus joelhinhos estrategicamente durante todos os recreios. Às vezes eu me defendia e agarrava os seus cabelos e como a Mônica faz com o seu coelhinho, antes de bater no cebolinha, girava ele em círculos. Era divertido!!! Mas eu não entendia porque aquele guri me odiava tanto e só fui começar a descobrir as nuances do amor quando minha mãe me contou a conversa que Alexsandrinho tivera com ela:
- Tia, quando eu crescer eu quero casar com a sua filha. Eu já tô separando dinheiro para comprar um fogão pra ela cozinhar quando a gente se casar!
Bom, eu até esqueceria deste fato e não classificaria como marca do passado, se as marcas no meu joelho não ficassem expostas durante anos !!! E segundo minhas fontes cefálicas e ao mesmo tampo subjetivas, estas marcas no joelho permaneceram até os QUINZE ANOS! Ou seja, elas foram preponderantes na minha adolescência, tanto que só beijei após os 15 anos de idade.
Hoje eu estou casada com ele e as marcas aumentam enquanto aumenta a nossa paixão. Cozinho no fogão seu mondongo e se eu não coloco bastante pimenta como ele gosta Alexsandrão me presenteia com um joelho de porco...o meu!!!! ***



*** O último parágrafo do texto foi distorcido pela autora durante uma crise delirante, contudo o restante de seu conteúdo é descrito pela mesma como a mais bela história de sua tenra infância.



"Eu só queria uma bola de vôlei"


Definitivamente eu não entendo minha alusão à Xuxa Meneguel quando penso na minha infância. Na verdade, eu nem fazia tanta questão de ver a Xuxa na telinha, até porque, não fui uma criança muito normal como podem ter verificado pelo texto anterior. Me lembro um pouco da Angélica “Vou de táxi, se sabe”; da Eliana “Tchau, tchau, tchau, eu vou viajar, logo, logo eu vou voltar”; das Patotinhas “tomo um banho de lua, tiro as calças e vou pra rua”. Da Mara Maravilha eu apenas gostava dela porque eu sempre dizia: “as morenas é que vão dominar o mundo”, mas na verdade nem assistia a seus programas. E Balão Mágico, esse nem se fala, só sei que tinha a Simoni e o Jairzinho....è isso?
O que gostava de ouvir mesmo era as fitas da minha mãe, dançando em cima da cama. Ouvindo Clara Nunes eu cantava vestida com a roupa azul da minha mãe que estava mais pra “mãe se santo”: “O que que a Baiana tem, o que que a Baiana tem”. Também ouvia Sérgio Reis, enquanto apontava as mão para cima e cantava: “Mas nessa casa tem goteira, pinga em mim, pinga em mim, pinga em mim”. Também ouvia direto as músicas da novela Roque Santeiro, como aquela: “Mistérios de um lobisomem que fosse homem...mistérios de uma menina tão desgarrada, seu professor”. Pois é...mas aonde estava mesmo....Há! Eu estava na Xuxa, mas na verdade preciso contar uma história antes para poder sublinhar porque falo da rainha dos baixinhos. Bom, além destas músicas, gostava de brincar de médica-chefe do hospital que dava ordens, de comer muito Fandangos e parei de usar as malditas trancinhas. Também, aos 9 anos de idade, queria muito uma bola de vôlei. Mesmo eu tendo quebrado um dedo, mesmo não sabendo jogar eu queria uma bola de vôlei. E tudo conspirava ao meu favor para que eu ganhasse, já que meus pais foram viajar, e eu tendo que ficar com a minha Vó super implicante, seria bem recompensada.
Ao voltarem ao doce lar, meus pais na porta já anunciaram: “Trouxemos uma surpresa!”. Estava radiante de alegria quando comecei a ouvir uns berros, depois de uns berros uns choros. E aquele que estava desesperado, chorando e berrando foi dado a mim, como recompensa pela estadia com a Vózinha. Eu olhei para aquele papagaio de beira de estrada, com as asas cortadas e o coloquei no chão. Ele estava em uma gaiola feita de taquara e se debatia para todos os lados. Eu nunca vi um animal tão desesperado e um presente nunca me deixou tão triste. Falava baixinho com ele: “O que fizeram contigo foi muita maldade..” Na verdade eu não sabia o que falar ao animal, ele não podia voar, não tinha como soltá-lo apesar de querer muito. E eu pensava comigo mesma: “Que merda esse presente, que bicho triste, eu só queria uma bola de vôlei.”
Quiko (o nome quem batizou foi meu pai), foi deslocado para uma gaiola de ferro e durante uma semana continuou gritando, mordendo as grades, não comia nem bebia direito. Cada vez que olhava para o bichinho brigava com meus pais: “Pra que tirar os bichos da natureza, isso é errado, que presente é esse!”. Quiko foi encontrado após uma semana, desmaiado com o bico dentro do pote de água. Meu pai retirou rapidamente ele da gaiola e fez respiração boca-a-boca. Foi a cena cômica mais não-cômica da minha vida. Eu chorava culposa, pensando que ele teria cometido suicídio. A única dúvida que tenho é se Quiko era menino ou menina. Mas até hoje não me sai da cabeça que ele ou ela realmente se matou na profunda tristeza e desesperança de que nunca mais iria ver suas árvores, seu verde, seu mundo que lhe foi tirado às pressas.
Quem me ajudou foi a Xuxa, que em uma manhã, após ter tomado meu Nescau e pensado no Quiko, apareceu sorrindente e saltitante me consolando na tv:
- Baixinhos e Baixinhas! Agora eu tenho algo muito sério para conversar com vocês...Os nossos animaizinhos em extinção estão sendo arrancados de onde vivem por homens que vendem eles ilegalmente, principalmente nas estradas. Nós precisamos lutar contra isso, muitos animais estão morrendo e não tendo a chance de aumentar a espécie e serem felizes. Com essa carteirinha do IBAMA você pode ser um amiguinho dos animais! Denuncie pelo telefone...
Eu nunca tive a carteirinha do IBAMA, mas naquele momento gritei bem alto minha dor:
- É isso mesmo XUXA! È um absurdo o que acontece, esses filhos duma Pu.....!!!!! Vamos defender os animais, chega de abusos, cadê os direitos!!!!!!!!
Hoje em dia, não vejo mais animais sendo vendidos em beiras de estradas mas vejo outras situações graves em beiras de estrada e é sobre elas que falarei mês que vem.

2 comentários:

Natalia Serrano disse...

Oi Helen, adorei seu blog... voltarei aqui mais vezes...
Engraçado como as crianças entendem muito mais da vida do que os adultos né? rs
Infelizmente, animais continuam sendo vendidos ilegalmente, só no Brasil são 20 milhões (sim, milhões) de papagaios "domésticos".
Boa sorte nessa empreitada bloguística!

Cristiane Figueiró disse...

Adorei os textos e muito lindas as fotos, me adiciona pra gente conversar mais se quiseres, bjs!!!! crisfigueiro@hotmail.com